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Um Sonho de Liberdade (1994)

Um Sonho de Liberdade está no meu Top 5 de filmes, e não é por nostalgia. Afinal, a história é envolvente do começo ao fim e não tem cena sobrando. Além disso, tem o Morgan Freeman, ator que eu curto bastante. Por isso, neste review de Um Sonho de Liberdade, sem spoilers, conto por que esse drama de 1994 continua valendo o play mais de 30 anos depois.

Trailer de Um Sonho de Liberdade

Ficha técnica

Curiosidades sobre o filme

  • Estreia na direção: foi o primeiro longa de Frank Darabont, que depois voltaria a adaptar Stephen King em À Espera de um Milagre e O Nevoeiro.
  • Baseado em novela, não em romance: a história vem de Rita Hayworth and Shawshank Redemption, publicada por King em 1982 na coletânea Quatro Estações.
  • O Red era irlandês: no texto original, o personagem é irlandês (daí o apelido). Com a escalação de Morgan Freeman, o detalhe mudou, e o filme faz piada com isso em uma fala.
  • Fracasso de bilheteria: nos cinemas, o filme rendeu pouco, competindo com Forrest Gump e Pulp Fiction. O público veio depois, no vídeo e na TV.
  • 7 indicações ao Oscar, nenhuma vitória: incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Morgan Freeman.
  • Tipoia no set: uma cena simples em que Freeman joga uma bola de beisebol teve tantos takes que o ator terminou o dia com o braço imobilizado.
  • Locação real: as filmagens foram no antigo reformatório estadual de Mansfield, em Ohio, hoje aberto à visitação.
  • Título nacional sem spoiler: o nome original entrega mais do que deveria. "Um Sonho de Liberdade" não tem esse problema.

Review de Um Sonho de Liberdade: por que vale assistir

Primeiro, a premissa, que é simples. Andy Dufresne (Tim Robbins), um banqueiro bem-sucedido, é condenado à prisão perpétua pelo assassinato da esposa e do amante dela. No entanto, ele diz que é inocente. Já na penitenciária de Shawshank, conhece Red (Morgan Freeman), o detento que consegue qualquer coisa para os outros presos. Ou seja, é o suficiente para começar. Portanto, quanto menos você souber antes de dar o play, melhor.

Além disso, o filme não depende de reviravolta a cada dez minutos. Pelo contrário, ele vai devagar: apresenta os personagens, a rotina da prisão e a amizade entre Andy e Red sem pressa. Ainda assim, é lento sem ser arrastado. De fato, em nenhum momento deu vontade de pegar o celular.

Mais do que um filme de prisão

Chamar Um Sonho de Liberdade de "filme de prisão" é simplificar. Afinal, a prisão é só o cenário. Na verdade, o assunto é esperança e o que acontece com quem tenta mantê-la num lugar que trabalha contra ela. Inclusive, o próprio Darabont já disse que vê a prisão como uma metáfora da vida. E faz sentido, porque rotina, regras e instituições também vão moldando a gente aos poucos.

Por outro lado, o filme acerta no peso. Tem violência, injustiça e abuso de poder. Mesmo assim, sobra espaço para humor e para momentos simples, como uma cerveja no fim do expediente ou uma música tocando onde não deveria. Esses respiros fazem diferença. Assim, a história fica pesada sem ficar insuportável.

Uma amizade que leva tempo

O centro da história é a amizade entre Andy e Red. Só que ela não nasce pronta. Primeiro vem a desconfiança, depois as conversas curtas no pátio e, por fim, uma amizade que se firma ao longo de anos. Dessa forma, o filme faz você sentir o tempo passando, e isso dá peso ao que vem depois.

Além disso, Red é o narrador. Ou seja, é pelo olhar dele que a gente acompanha tudo, inclusive o próprio Andy, que nunca é totalmente explicado. Com isso, fica um certo mistério no ar que prende até o fim. E, sim, ouvir o Morgan Freeman narrando já é meio caminho andado para mim.

Os outros personagens

A prisão também tem gente o bastante para não parecer cenário vazio. Por exemplo, o diretor Norton e o capitão Hadley são o tipo de personagem que você torce contra desde a primeira cena. Já o Brooks, o velho bibliotecário, tem uma das histórias paralelas mais marcantes do filme. Embora seja curta, essa subtrama diz muito sobre o tema principal.

Uma história que se fecha bem

Sem entrar em detalhes: o que aparece no filme tem motivo para estar ali. Algumas coisas que parecem sem importância no começo voltam depois com outro sentido. Por isso, quando terminei, a impressão foi de história bem fechada, sem ponta solta. Inclusive, na segunda vez que assisti, percebi várias pistas que tinham passado batido.

Envelheceu bem?

Sim. Afinal, mais de 30 anos depois do lançamento, o filme continua entre as primeiras posições do ranking do IMDb, que é votado pelo público. Ou seja, não é só elogio de crítica: as pessoas assistem e recomendam.

Por outro lado, o ritmo é mais calmo do que o padrão de hoje. Então, quem está acostumado com filme acelerado pode estranhar os primeiros 20 minutos. Depois desse ponto, porém, a história se sustenta sozinha.

Vale a pena assistir Um Sonho de Liberdade?

Vale. Em resumo, Um Sonho de Liberdade tem uma história envolvente, personagens que você acompanha com interesse e uma mensagem que não depende de discurso. Por isso, continua no meu Top 5.

Enfim, se você gosta de drama, de histórias de amizade ou do Morgan Freeman, é uma escolha certa. Só reserve as 2h22 sem interrupção, porque o filme funciona melhor assim.

Nota final: 5/5 ★★★★★

Para quem: fãs de drama, histórias de amizade, adaptações de Stephen King e de Morgan Freeman.

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